segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Arquitetura e Música - o retorno.

A Casa do Oscar

"A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira. Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar. Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar."

Chico Buarque

Colégio Cataguases, Oscar Niemeyer.


Obs.: Bédora, feliz aniversário!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Festival Planeta Terra 2009 - O relato pessoal e o espírito contagiante e a água

Passados exatos 11 dias do Festival Planeta Terra 2009 e a euforia envolvida, faço esse post com tranquilidade, acuidade e sem rimas.

A preparação para o grande evento foi combinada pelo telefone; Mina e eu decidimos o figurino confortável e chegamos ao consenso de como seria desagradável se chovesse e molhasse nossos calçados. O figurino foi simples e muito eficiente: bermudas, regata, meia, all-star + acessórios: óculos escuros, documentos, ingresso, celular, boné e capa-de-chuva (e a Mina ainda tinha um lenço bonito). Mas, onde guardamos tudo isso? Na pochete, claro.

Assim sendo, Mina e eu estávamos preparadas para o festival, com vontade de nos aventurarmos nos brinquedos do Playcenter; entusiasmadas para conhecer bandas novas e pouco nos importando em usar o boné no meio do povo hype. Estávamos imersas no Espírito do Festival!!!

estilo/hype

E o povo hype? Ah, o povo hype tava lá em peso, com coletinhos, botinhas, cabelinho penteado para parecer que estava penteado, calça jeans bem justinha, sem boné, sem pochete e...sem diversão. Eu sei que eles suavam tanto quanto eu; eu sei que eles gostariam muito de ter ido no brinquedo da água. A banda representante estava lá, Copacabana Club, mas nem vi o show. Hype, passou. Maximo Park, minha banda aposta, tocou no mesmo horário. Aposta certa!

Maximo Park

Macaco Bong, power-trio-dygno, ahazando no palco e o lugar ainda vazio...Será que o Espírito do Festival só estava com a Mina, Spuri, Gu, Zé e Tânia??? Macaco Bong

Fomos descobrir. Brinquedos, avante! Queríamos contagiar o Playcenter com este Espírito tão nobre. Primeira parada, segunda parada e terceira parada, foi o brinquedo da água (Waimea)! Diversão refrescante na primeira fileira do carrinho. Mina e eu, encharcadas, ainda queríamos mais água e então paramos na ponte e esperamos pela onda. Tchuáááááá!

Waimea

Agora, as pessoas já sorriam para gente, apesar da pochete, e muitas se direcionavam para o brinquedo da água.
Aí, sentamos no banco para torcer as meias! Sim, calçados molhados!
Montanha Russa, lá vamos nós! Gu e eu. Oi, Marginal Tietê! Oi, Playcenter! Oi, Marginal Tietê! Cabelos ao vento.

Montanha Russa

E, assim tão lindas, fomos tirar foto com o Paul Smith, vocalista do Maximo Park, que passeava pelo parque. Ele foi tão simpático que a foto ficou ótema! (um grande abraço pro meu pseudônimo!)

Com o Paul Smith

Agora sim, muito sol e colocamos o boné. A fila do carrinho de bate-bate estava curta, então, lá vamos nós! Escutei os primeiros acordes dos Móveis Coloniais de Acaju e a ansiedade veio me encontrar. Eu nem sei como descrever a emoção de brincar no carrinho bate-bate e muito menos, contar como foi inédito e pontual o choque final entre Mina e eu, ao tocar do sino que indica o término da farra. Ah, foi incrível!!!

Daí em diante, o dia seguiu feliz, os Móveis Coloniais tocaram com vivacidade e roubaram meu coração antes mesmo que eu pudesse o entregar pro Maximo Park, Metronomy e Patrick Wolf (que vai ganhar um post particular pela grande e brilhante performance).

Móveis Coloniais de Acaju

Água, mais água. A chuva veio e, Mina e eu estávamos preparadas, certamente. Se antes já atraíamos olhares pelo nosso visual casual, agora então...!


( pausa dramática )








Vale lembrar, que o Spuri amarrou/colocou/fez-um-laço-curioso-na-cabeça com o lenço bonito da Mina e, assim, formamos um trio pra lá de charmoso e místico.

Nesses trajes, assistimos ao show do Metronomy!

Daí em diante, noite adentro, madrugada a fora, me perdi dos companheiros de batalha, mas, encontrei com o Thomaz no show do N.A.S.A e quase ficamos surdos!

Ah, agora sim!!! O Espírito contagiante estava na cara e bebida de todos!!! Todo mundo viu o traseiro do Iggy Pop, o Cubo do Étenne de Crecy, o quase-tombo do Patrick Wolf, a dancinha do Ting Tings, a monotonia do Primal Scream, o peso do Sonic Youth, a dança-robô do NASA, a alegria dos Móveis Colonias de Acaju, as luzes do Metronomy e a simplicidade do Macaco Bong.

O cubo

Avaliação dos show de acordo com o meu critério inspirado no twitter:

# Cê ta me zuando? Eu amei!
# não senti nada
# Achei bem bom, mas pra falar a verdade, eu só vi duas músicas e a bunda dele.
# nem vi, mas achei ruim
# nem vi
# oi?
# Boto fé!
# eu tava vendo Metronomy, mas parece que foi bom!

Vamô lá!

.SONORA MAIN STAGE

-Macaco Bong: #Boto fé!
- Móveis Coloniais de Acaju: # Cê ta me zuando? Eu amei!
- Maximo Park: # Cê ta me zuando? Eu amei!
- Primal Scream: # não senti nada
- Sonic Youth: # eu tava vendo Metronomy, mas parece que foi bom!
- Iggy Pop: # Achei bem bom, mas pra falar a verdade, eu só vi duas músicas e a bunda dele.
- Étiene de Crécy: # não senti nada (mas, o cubo era lindo)


.COCA-COLA ZERO STAGE:

- Fuja Lourdes (se não me engano): # nem vi
- EX!: # oi?
- Copacabana Club: # nem vi, mas achei ruim
- Patrick Wolf: # Cê ta me zuando? Eu amei!
- Metronomy: # Cê ta me zuando? Eu amei!
- The Ting Tings: # Boto fé!
- N.A.S.A: # Boto fé!
- Anthony Rother: # oi?


Ficou muito pessoal?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Planeta Terra e lições inusitadas de urbanismo

Em tempos de Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil, discutir equipamentos urbanos por aqui ganha novo fôlego, e ainda que infelizmente não na mesma proporção que a quantidade de cagadas que serão cometidas, podem levar a boas coisas.
O que me remeteu a isso não foi criticar o plano do Rio pra 2016, com projeto assinado pelo Sr. X, mudanças que o COI não aprova, que depois são desmentidas e essa salada toda, nem mesmo o projeto do Artigas para o Estádio do Morumbi sendo reformado pelo Ruy Otahke.

Por que falar disso e não falar de bons e inusitados exemplos de apropriação de equipamentos urbanos que as cidades já tem, como o Planeta Terra fez com o Playcenter neste fim de semana?

O festival já vinha por este caminho quando se apropriou da Vila dos Galpões, na zona Sul da cidade. Infelizmente o complexo foi demolido para dar lugar ao novo camelódromo da cidade, e que em teoria vai desafogar o Largo 13.

Antigo layout do Terra.

Isso em si já é um absurdo, ainda mais considerando o que o Mauger bem apontou: patrimônio histórico industrial de São Paulo não é a meia dúzia de galpões de tijolinho no Brás, mas sim estes empreendimentos em concreto armado dos anos 1960. Como a nossa cidade pratica uma permanente destruição da memória, lá se foi a Vila.

Só que isso deu chance de eles descobrirem o Playcenter, e foi a descoberta mais esperta desde o sorvete de goiaba com queijo.

Passagem de som do N.A.S.A. e Casa Dos Horrores


Porque eles acharam um lugar com infra pra dezenas de milhares de pessoas passarem em um dia, entretenimento a valer, espaço para shows com qualidade, e a chance de fazer alguma coisa totalmente diferente.

Teve gente que achou que a comida estava meio ruim (pra mim sempre é) e não tinha opções sem carne, mas ter um banheiro de verdade, limpo, sem fila e com papel às 3hrs da matina compensam tudo isso. E isso é mérito do Playcenter.

Assim como poder ir em um monte de brinquedos sem fila, me refrescar no brinquedo de água com o calor do cão que fez durante o dia e rir que nem bocó no carrinho de bate-bate, ouvindo boa música e cercada de gente que parecia tão feliz quanto eu de se ver naquela situação.

Eu fiquei realmente encantada.

E entendo perfeitamente que parque de diversões e música não tem nada que ver com esporte, mas eu realmente acho que esse tipo de iniciativa tem que ser lembrada quando JÁ estão reformando os equipamentos que fizeram pro Pan – e falaram que iam servir pras Olimpíadas – porque estão pequenos/obsoletos/mal cuidados.


É, teve shows incríveis também, o Iggy se superou, o N.A.S.A. foi fenomenal... E umas outras coisas que foram só ok. Mas disso a gente fala depois.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Festival Planeta Terra 2009 - Minhas apostas!

Depois da longa espera, o grande dia está chegando. O Putzcaramba! está em contagem regressiva!!! É agora, meus queridos putzcarambenses!, dia 07 de novembro que o Festival Planeta Terra acontecerá. E, para aquecer os motores, escutei as 14 bandas confirmadas para o festival. Três bandas foram eleitas como enredo deste post tão pretencioso.

As bandas confirmadas: Iggy & The Stooges, Sonic Youth, Primal Scream, N.A.S.A, The Ting Tings, Maximo Park, Metronomy, Etienne de Crécy (live act), Macaco Bong, Móveis Coloniais de Acaju, Copacabana Club, EX!, Patrick Wolf,Anthony Rother.

As 3 bandas foram eleitas seguindo meu rígido critério:

1- Eu tentei cantar junto?
2- Eu dancei?
3- Eu achei intrigante?
Vamos lá!

1- Maximo Park, eu tentei cantar junto.
Banda britânica formada em 2003, cujo nome foi inspirado no ponto de encontro, em Havana, dos revolucionários; Maximo Gomez Park.A banda já lançou 4 discos e mostra, ao meu ver, um trabalho consistente.É a minha aposta de show para o "Sonora Main Stage".


Veja aqui o clipe.

2- The Ting Tings, eu dancei.
Banda britânica formada em 2004, cujo nome eu não faço a menor idéia de onde surgiu.A banda só lançou um disco até agora, tornando a maioria das músicas em single. Não vejo muita consistência, mas vejo muita dança na pixta.É minha aposta para o "Coca-Cola Zero Stage".




Veja aqui o clipe.

3- Patrick Wolf, me intrigou.
Cantor britânico, Patrick Denis Apps, nasceu em 30 de junho de 1983.Já lançou 5 discos e mostra, ao meu ver, um trabalho consistente.Além de me intrigar, me identifiquei com o seu nome artístico (e aqui se vai meu pseudônimo).


Veja o clipe aqui.



Muito bem, eu confesso ter algum problema com os sons produzidos por bandas britânicas. Mas, essas são minhas apostas e, quais são as suas???

Hasta.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O grande vencedor de ingressos pro Planeta Terra Festival é...


É com orgulho que anunciamos o grande vencedor do Putz!Concurso por ingressos ao Planeta Terra Festival! Na verdade é com orgulho e dor no coração, porque as respostas eram ótimas e a gente achou horrível ter que escolher só um, mas como ingresso não dá em árvore, tinha que ser assim...

Refrescando a memória, o que os concorrentes tinham que responder em um textinho ou fotomontagem era:
Se o ônibus da sua banda quebrasse no meio da estrada...
1. Quem seria a sua banda?
2. O que você teria no seu onibus que te salvaria dessa enrascada?
3. Pra quem você ligaria por socorro?

E o vencedor é.... Tan tan tan tan...


Thiago Antunes!

“Na longa e sinuosa estrada perto do cais que minha banda, os Beatles, percorremos na turnê havia uma pedra no meio do caminho. O pneu furou e ficamos a ver submarinos amarelos. Por sorte havia um megafone disponível no ônibus. Sem pestanejar, os quatro rapazes gritaram: HELP!”

Por causa dessa resposta muito esperta e simpática ele ganhou um par de ingressos pra ver o Terra. Nada mal!

Vamos ainda conceder duas menções honrosas, que apesar de não ganharem nenhum prêmio, fizeram a nossa semana mais feliz:

A primeira menção honrosa vai para a Kelly Kawakami e sua fantástica fotomontagem!


E a segunda, para a Raquel Iraha e sua fantástica piração!

"Minha banda seria Alex Kapranos, Paul Smith, Didi Gutman, meu amigo Victor e minha irmã Isabel, e se chamaria Os Chapolins! Eu teria bolhas grandes plásticas com ziper e uma bomba de ar para enchê-las, caso eu eu ligasse para o Chapolin e ele não pudesse nos salvar... Aí era só encher, entrar com os instrumentos, correr e rolar até o local, e ser feliz!"

Bom. É isso gente, obrigada por participarem. Podem ficar tranqüilos que dá próxima vez vai ser sorteio. Agüenta coração!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Música, arquitetura e os ossos

O final de semana é, para alguns, um bom momento para relaxar, ler um livro, organizar a vida e, para outros, é a melhor hora para sair pra dançar, se divertir, "sacudir o esqueleto". E é sobre essa expressão tão cativante e instigante que darei sequência ao post passado.
Formado por 200 ossos, o esqueleto é a mais formidável, leve e resistente estrutura do mundo; protege nossos órgãos internos e permite que possamos praticar todos os verbos. Nenhuma máquina chega, literalmente, aos nossos pés.


A durabilidade de um esqueleto é incrível!!! Resiste a fatores climáticos, temporais e nos revela comportamento de vidas passadas. Mas, comofaz?

Nossos ossos estão em sempre em atrito. Ao "sacudir o esqueleto", vários ossinhos, em atrito, vão se "quebrando" em pedacinhos. Porém, não tenha medo!!! O esqueleto se renova a cada desgaste.

Nossa! Podemos aprender muito com tal divina estrutura mas, nunca poderemos a reproduzir.

Aproveite cada osso, ilustres leitores e dance junto com os clipes escolhidos, criteriosamente, por quem vos fala.

Apoio visual e auditivo:

Veja aqui (não foi possível incorporar esse por motivos legais)




O osso é mais resistente que o concreto, queridos arquitetos/ engenheiros!!!

O osso é a mais leve armadura, queridos guerreiros!!!

O osso é feito para dançar!!!

domingo, 18 de outubro de 2009

Carmen Miranda-da-da-da


Tá na moda falar de Carmen Miranda. Começou com o aniversário de cinqüenta anos da morte dela em 2005 e continua até este ano com o centenário de seu nascimento. E é por que todo mundo está falando que eu vou falar também? Não, não...

Eu estou falando dela porque fico com a sensação que muito se vê, muito se lê, mas não se faz uma crítica verdadeira a figura de Carmen, provavelmente nosso primeiro ícone pop, bem possivelmente a primeira designer brasileira conhecida no mundo e efetivamente precursora do tropicalismo!

Houve duas homenagens, entretanto, que acho que foram muito bacanas.

Figurino original de Carmen (foto minha)

A primeira foi no SPFW do inverno de 2009, em que, apesar de parecer que o tema “Carmen Miranda” estava lá só pra fazer graça, tinha uma exposição das roupas que ela usava nas apresentações que eu achei fabulosa.

Detalhes do tecido e dos adereços de cabeça (fotos minhas)

Quer dizer, metade da imagem que temos de Carmen Miranda hoje são as bananas na cabeça, mas ver o tecido efetivo em que foram feitas as roupas, os trabalhos de bordado e o refinamento da coisa toda descontróem a cafonice que ficou como repercussão disso tudo.
Mais ainda, deu pra ver como ela era pequena de fato, e não fica o termo vazio de “a pequena notável” que eu preenchi nas palavras cruzadas dia desses.

A outra homenagem que eu vi e achei muito legal foi um show que estava em cartaz no fim de semana passado, e infelizmente não deu tempo de eu escrever a tempo de fazer a propaganda pra vocês poderem ver, mas aviso na próxima vez que tiver.

Chama Na Batucada da Vida, título extraído de uma das músicas da portuga, com música cantadas por Lucinha Lins, Virgínia Rosa e Célia.

Primeiro já é muito legal pela releitura das músicas, que dá um peso e uma contemporaneidade sem perder a essência do que ela propunha. Não bastasse as músicas, as três dão um show de simpatia e mostram que estão muito felizes com o projeto, assim como os músicos, o que sempre deixa qualquer espetáculo muito melhor.

A mesma idéia de releitura é feita para os figurinos e para o cenário do espetáculo, pegando elementos chave das roupas de Carmen, mas aplicando sobre um fundo preto e garantindo o refinamento que ela merece, o resultado é demais.